Por que a ergonomia pode ajudar na produtividade dos colaboradores?

Se você se interessa pelo universo da Segurança do Trabalho, já deve ter se questionado por que a ergonomia pode ajudar na produtividade dos colaboradores. Hoje pretendemos nos aprofundar um pouco mais nos conceitos que cercam a ergonomia e a produtividade no ambiente de trabalho, e mostrar como as duas caminham juntas.

Não importa de qual ramo seja a sua empresa, a ergonomia tem um papel fulcral para que os seus funcionários possam realizar todas as atividades de maneira eficiente. O motivo é simples: se pararmos para analisar, no Brasil, é comum que as pessoas costumem se dedicar 8 horas de trabalho por dia. Isso equivale a cerca de 2.030 horas por ano – muitas vezes, mais tempo do que o os trabalhadores passam dentro da própria casa.

Por isso, apostar no bem-estar dos funcionários do ponto de vista ergonômico é tão importante. Isso essencial não apenas para os colaboradores, do ponto de vista pessoal, mas também para a empresa que, com isso, consegue melhorar seus processos.

Deu para perceber como a ergonomia é essencial, não é? Abaixo vamos nos aprofundar melhor sobre o que ela se trata, e de que maneirar pode ajudar na produtividade dos colaboradores.

O que é a ergonomia?

Do ponto de vista etimológico, ou seja, da origem da palavra, a palavra ergonomia surgiu da junção das palavras gregas ‘ergon‘ – que significa trabalho – e ‘nomos‘, que, por sua vez, significa leis ou normas. Esta, por fim, se tornou uma disciplina resultante de diversos estudos realizados por inúmeros profissionais, especialmente após a Segunda Guerra Mundial.

ergonomia_e_produtividade
A ergonomia se trata de estudos em torno do bem-estar dos colaboradores para melhorar sua performance e a produtividade do trabalho.

É importante lembrar que neste período o número de operários de fábrica cresceu consideravelmente, especialmente por conta da Segunda Revolução Industrial, com a ascensão da máquina a vapor que culminou na produção em massa de produtos. Neste contexto, esses pesquisadores passaram a estudar todos os tipos de atividades humanas, inclusive aquelas que dizem respeito ao setor de serviços (com ênfase no estudo de minorias, como idosos, portadores de necessidades especiais e pessoas obesas).

>> Aprenda mais sobre a Ergonomia no nosso artigo especial sobre o tema <<

Hoje em dia, a ergonomia ainda não é necessariamente considerada uma ciência e sua definição ainda não é unânime. Porém, no âmbito da Segurança do Trabalho, o seu conceito tem dois objetivos principais: o de gerar conhecimento sobre o trabalho, suas condições e a relação do indivíduo perante ele, bem como formular conhecimentos para transformar de maneira racional as condições laborativas de maneira a melhorar a relação entre o indivíduo e a atividade laboral.

A ergonomia no trabalho tem como foco o bem-estar dos colaboradores, investigando, assim, situações de temperatura, ruído, iluminação, umidade, ferramentas, mobiliário, máquinas, dentre outros. Seu objetivo é melhor adaptar o contexto de trabalho, buscando conforto e prevenção de agravos à saúde dos trabalhadores.

O que é a produtividade nas empresas?

A partir do final do século XIX o conceito de produtividade passou a ser mais estudado pelos pesquisadores. A ideia principal em torno da produtividade era a procura incessante por melhores métodos de trabalho e processos de produção que pudessem acelerar a produção por meio do trabalho.

O fordismo, modelo de produção criado por Henry Ford, trouxe às empresas uma nova vantagem competitiva através de trabalhadores especializados, peças padronizadas e produção em massa.

Embora esse conceito tenha estado em voga durante algum tempo, logo os estudiosos perceberam que a adoção de um enfoque exclusivamente técnico para aumentar a produtividade das empresas era ineficiente, uma vez que essas atividades também precisavam das pessoas.

Isso significa que as pessoas e suas necessidades, na maioria das vezes, têm igual ou maior influência do que o sistema técnico no desempenho das empresas – logo, um trabalhador satisfeito é também um trabalhador produtivo. Atualmente, em termos de produção, muitas empresas abandonaram esse conceito de produção em série e o substituíram por uma produção mais flexível, globalizada e adequada à demanda do mercado.

Qual a relação entre ergonomia e produtividade?

O excessivo aumento da produtividade nas empresas, embora tenha trazido vantagem competitiva para essas organizações, acabou por elevar o número de doenças do trabalho entre os colaboradores. De fato, isso gerou uma preocupação cada vez maior com relação ao ambiente em que o trabalhador opera e os também aos impactos físicos e psíquicos causados pelas jornadas de trabalho.

As doenças do trabalho são adquiridas ou desencadeadas em função de condições especiais em que o trabalho é realizado. A disacusia (surdez), por exemplo, pode ser causada em trabalhos realizados em locais muito ruidosos. Além dela, existem tantas outras, tal qual a LER (Lesão por Esforço Repetitivo), adquirida por pessoas que realizam uma mesma ação repetidamente todos os dias, ou mesmo sofrimentos psíquicos, como a ansiedade e o estresse.

Recentemente, a Síndrome do Burnout passou a ser considerada também uma doença do trabalho pela Organização Mundial da Saúde, a OMS. Essa é uma doença ocasionada pelo estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso, muito comum em empresas que não adotam cuidados de Saúde do Trabalho junto a seus colaboradores.

>> Saiba como evitar doenças relacionadas aos riscos ergonômicos no nosso artigo <<

Neste sentido, cada vez mais as empresas têm buscado implementar ações de ergonomia para melhorar o bem-estar dos seus colaboradores de modo a incrementar a produtividade. Isso acontece porque, com a redução do absenteísmo no trabalho, as entregas são realizadas no prazo estipulado, e os clientes satisfeitos geram mais pedidos e oportunidades de produção.

As empresas são obrigadas a adotar aspectos ergonômicos no dia a dia de trabalho?

Desde a Constituição Federal de 1988, em específico no seu Art. 6º, a lei expressa a importância do direito dos trabalhadores quanto à redução de riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. A partir da criação do Grupo de Trabalho Interministerial em 2004, formado pelos Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), pelo Ministério da Saúde (MS), e pelo Ministério da Previdência Social (MPS), surgiu uma política nacional de saúde e segurança voltada aos trabalhadores.

As normas criadas através deste grupo são denominadas Normas Regulamentadoras (NRs), e, dentre elas, está a NR-17, que visa a estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente.

Portanto, de acordo com a lei:

É de responsabilidade da administração do estabelecimento industrial verificar a adaptação dos postos de trabalho às regras ergonômicas, que visam oferecer ao colaborador mobiliário, equipamentos, condições ambientais e organização do trabalho adequados à eficiente atividade laborativa.

>> Saiba mais o que é e para que serve a NR-17 no nosso artigo <<

Sendo assim, conciliar a produtividade dos colaboradores dento de uma empresa com o bem-estar deles não é uma utopia – pelo contrário, são conceitos que há algumas décadas já caminham lado a lado. A orientação quanto às regulamentações da NR-17, portanto, são mais que benéficas não apenas ao que diz respeito à Saúde e Segurança do Trabalhador, mas também para melhorar a produtividade dentro das organizações.

A Beta Educação acredita que investir em boas práticas ergonômicas pode aumentar a produtividade e a rentabilidade das empresas de diversos setores.

1 comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.