Primeira semana em uma empresa: o que o Técnico em SST deve executar?

Um Técnico em SST que sai do seu curso de formação diretamente para o mercado de trabalho não traz tanta bagagem quanto um profissional que já é experiente na área. Ainda assim, independentemente da experiência que esses profissionais tiveram, a primeira semana em uma empresa é crucial para que o seu trabalho seja realizado com qualidade.

técnico em sst

Independente de qual seja a ocasião, na primeira semana em uma organização, o técnico em SST tem muitos desafios que não estão descritos na descrição da vaga a qual se candidatou. Caso seja o primeiro emprego na área, a maior adversidade que esses profissionais vão encontrar certamente não está relacionado à aplicação de conhecimentos adquiridos no curso.

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Os aspectos que são mais relevantes em uma primeira semana de emprego na área são o gerenciamento de tempo, o cumprimento de prazos, o trabalho em equipe, a administração de orçamentos e a conciliação entre as medidas em SST que devem ser tomadas na organização e as prioridades da diretoria da empresa.

Victor Costa, profissional que já teve experiência com 300 profissionais técnicos e engenheiros da área em mais de 18 anos de profissão, escreveu em artigo de sua autoria que um dos principais atributos de um bom técnico em SST é ser positivo. Para ele, “se ora precisamos convencer o patrão e ora precisamos convencer o trabalhador, como conseguir, quando não acreditamos em nós mesmos?”.

Por isso, é muito importante ter autoconfiança e discernimento sobre os processos da organização durante uma primeira semana de trabalho como técnico em Saúde e Segurança do Trabalho. E entender como funciona a empresa, quais são os seus valores e missão entre os funcionários e os clientes, e como se dá o modus operandi no dia a dia para que você possa encaixar as suas aptidões da melhor maneira possível.

A primeira coisa a se fazer quando se entra em uma empresa enquanto técnico em SST é verificar se existe um SESMT (Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) em operação ou não. O SESMT é uma garantia de saúde e segurança para os colaboradores, e pode ser obrigatório dependendo da atividade e da quantidade de funcionários.

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A partir dessa primeira análise, Victor aponta que já se é possível ter uma melhor precisão de como correrá o seu trabalho na organização:

  • Se a empresa já tem um SESMT implantado, e você faz parte de uma equipe, você terá outros colegas e um supervisor no setor. Neste caso, cabe a você conversar com o seu chefe direto para entender a divisão de tarefas e quais serão as suas responsabilidades na equipe. ;
  • Quando a empresa já tem um SESMT implantado, mas você é o único membro, provavelmente a sua chefia estará atrelada a um setor diferente da empresa, como os Recursos Humanos. Neste caso, você vai receber orientações de um funcionário que não é da área, e que provavelmente vai repassar as informações de um antigo técnico em SST que fazia parte do corpo de funcionários da organização. Neste cenário, o ideal é levantar a maior quantidade de informações possíveis para fazer um diagnóstico e traçar um plano de trabalho;
  • Para o caso de a empresa não ter um SESMT implantado, você provavelmente terá de prestar contas diretamente à administração ou ao RH da organização, tendo de desenvolver tudo do zero.

De qualquer forma, suas responsabilidades estarão vinculadas com o intuito da sua contratação: é o objetivo dessa organização “vestir a camisa” da prevenção e colaborar para melhorar os aspectos de saúde e segurança dos colaboradores, ou a sua posição é apenas uma imposição legal que a empresa quer garantir como um registro?

Infelizmente, a segunda opção costuma ser muito comum em organizações de diversas indústrias por aí. Isto não significa, no entanto, que você não possa reconhecer quais são os principais riscos dentro dessa empresa e definir uma rotina de atividades, sendo elas diárias, semanais semestrais ou anuais.

Lembre-se que, como um profissional técnico em SST, você não acha, chuta nem supõe. É seu papel analisar, embasar e sugerir mediante legislação aplicável boas práticas de SST para todos os funcionários de uma empresa ou de um setor. Uma dica importante que Victor Costa aponta em seu texto e que é importante relevar aqui é que é importante guardar cópias, relatórios, e-mails e atas de reunião sempre que possível para situações de acidentes de trabalho e causas trabalhistas.

Uma boa maneira de fazer o seu trabalho ser mais efetivo dentro da organização é:

1. Conhecendo a empresa

Conhecer a empresa, circular por todos os setores, apresentando-se às lideranças para disponibilizar o que for preciso. Uma sugestão é marcar um Diálogo Diário de Segurança (DDS) geral, onde possa se apresentar a todos, ou realizar uma escala para que seja realizado em cada departamento da empresa.

É somente através da compreensão dos processos produtivos que o técnico em SST pode se antecipar, reconhecer e determinar quais serão os processos que deverão ser monitorados. Por isso, o momento inicial é o ideal para entender como se realiza a transformação de um determinado produto ou serviço para o cliente externo.

2. Conhecendo o fluxo de trabalho

No ínterim de conhecer os fluxos de trabalho, identifique também quais são as matérias-primas, os equipamentos e máquinas necessários, bem como os principais perigos e riscos, e as formas de controle estabelecidas – quando existentes. É bom identificar junto com essa etapa as queixas mais comuns dos colaboradores, os últimos acidentes ocorridos, as notificações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o índice de absenteísmo por doença ocupacional ou acidente e a existência de atividades insalubres ou perigosas e indicadores biológicos a normais.

É interessante, como técnico em SST, trabalhar com engenheiros e demais profissionais para anotar e registrar as informações mais relevantes como sobre as instalações elétricas, a instalação de máquinas e equipamentos e lay-out, estado geral e conformidade das áreas de vivência, disponibilidade dos equipamentos e dispositivos de combate a incêndio, condições gerais do estado da edificação, acessos e rotas de fuga, transito de veículos, armazenamento de materiais (inclusive produtos químicos), possíveis desvios (não uso de EPI, improviso, uso de acesso inadequado, etc.) e etc.

3. Documentando, registrando e priorizando

Se possível, solicite ao seu superior imediato documentos e registros, lembrando que existem diferenças evidentes entre esses dois. Enquanto o documento é informação, planejamento, diretrizes que nortearão a empresa, como procedimento, instrução de trabalho, política da companhia e o código de ética da sua empresa, os registros são anotações de fatos que já ocorreram, sendo uma evidência de uma prática.

Todo esse processo não acontece do dia para a noite. Porém, quanto mais cedo você o iniciar, mais embasadas estarão as suas ações no futuro. Após ter uma lista com todos esses documentos e registros em mãos, é hora de priorizar em, pelo menos, três níveis. Victor Costa dá um exemplo em seu artigo que você pode seguir:

  • Existente (Verde): para práticas, documentos e registros que são aplicados de maneira adequada e atendem os requisitos legais vigentes;
  • Existente e Não Conforme (Amarelo): para práticas, documentos e registros que, embora existam, não atendam os requisitos legais vigentes, sendo necessária a adequação;
  • Inexistente (Vermelho): para práticas, documentos e registros inexistentes que são necessários a elaboração, implantação e desenvolvimento.

4. Elaborando um Plano de Ação

Com o esquema anterior em mãos, é hora de elaborar um Plano de Ação. Nesta etapa, já é possível definir os responsáveis e as datas de fechamento, bem como as prioridades em função da natureza/gravidade e da concentração e da iminência de risco. É sempre sugerível iniciar pelos riscos graves e iminentes, como aqueles que podem ocasionar na morte ou invalidez e, após isso, avaliar os riscos que podem causar invalidez temporária, doenças agudas e doenças crônicas.

Mesmo com o Plano já elaborado, é interessante acompanhar a resolução dele por meio de reuniões mensais e vistorias e inspeções quinzenais para ver se eles estão sendo realizados nos setores em questão. Essas vistorias podem ser realizadas tanto por membros de uma possível Comissão Interna de Prevenção a Acidentes, a CIPA, ou pelos próprios responsáveis pelos setores.

>> PGR: saiba o que é um Plano de Ação e como elaborá-lo no nosso artigo <<

Independentemente dos seus atributos e responsabilidades dentro da empresa, tenha em mente que é sempre importante estar em constante atualização sobre as normas vigentes, as melhores práticas de Saúde e Segurança do Trabalho e sobre as mudanças organizacionais dentro da produção. Por isso, a dica mais importante para um técnico em SST que inicia em uma empresa é: não deixe de estudar e de se atualizar sempre que possível!

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