Ruídos no Ambiente de Trabalho: qual o limite de exposição?

Ruídos frequentes e de alta intensidade no local de trabalho são um perigo comum que pode causar muitos problemas à audição do colaborador.

Para se ter uma ideia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a OMS, a exposição a barulhos excessivos no trabalho é considerada um dos fatores ocupacionais que mais gera incapacidade ao longo dos anos.

Esse é um cenário muito comum em ambientes como fábricas, mas também pode ser encontrado dentro de escritórios com muitas máquinas como impressoras.

Qual é o limite máximo em decibéis?

Em linhas gerais, a lei determina que o nível máximo de barulho que um trabalhador pode ficar exposto em uma jornada de 8 horas de trabalho é de 80 decibéis.

Após esse limite, a legislação adota o passo de cinco: 85 decibéis para cada 4 horas trabalhadas, 90 decibéis para cada 2, e assim por diante.

Como esses ruídos podem ser medidos?

Por conta dessa delimitação, é essencial que o empregador tenha sempre em mãos um decibelímetro para que possa medir os decibéis aos quais estão expostos os trabalhadores em ambiente ocupacional.

O decibelímetro é um instrumento utilizado para a medição de decibéis que, inclusive, pode ser utilizado no trânsito das grandes cidades.

Outra maneira prevista legalmente para amenizar os problemas decorrentes da exposição a ruídos é o exame audiométrico na admissão dos funcionários.

Esse exame deve ser feito seis meses após a admissão, e, em seguida, em intervalos de um ano ou menos, se o coordenador do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) assim exigir.

>> Conheça quais empresas devem implementar o PCMSO no nosso artigo sobre o tema <<

NR-15: o que diz a norma sobre ruídos ocupacionais?

Quando o assunto são as Normas Regulamentadoras, aquela que rege a questão dos ruídos ocupacionais é a NR-15. De acordo com o texto da lei, para fins de avaliação em bem-estar ocupacional, os ruídos podem ser divididos em dois:

  • Ruído Contínuo ou Intermitente: é um ruído que não seja ocasionado necessariamente por um impacto, medido em decibéis a partir de instrumento de nível de pressão sonora próximo ao ouvido do trabalhador;
  • Ruído de Impacto: como o próprio nome já indica, é um barulho ocasionado por uma colisão ou impacto e que tenha duração inferior a um segundo, em intervalos superiores a um segundo.

Além disso, a Norma conta com dois anexos: o Anexo I trata sobre os limites de tolerância em detalhes para a exposição a ruídos contínuos ou intermitentes. Já o Anexo II trata sobre os limites de tolerância em detalhes para a exposição a ruídos de impacto.

Importante aqui denominar que um dos cálculos que mais se utiliza para definir a exposição ao ruído dos trabalhadores é a LEQ (Equivalent Sound Level), que se traduz como nível equivalente de ruído.

>> Saiba mais detalhes sobre os ruídos ocupacionais de acordo com a NR-15 no nosso artigo <<

Consequências da exposição a ruídos ocupacionais

ruídos
A perda de audição costuma ser o sintoma mais grave que os ruídos ocupacionais podem ocasionar.

Caso o colaborador esteja exposto a ruídos ocupacionais em níveis maiores do que o recomendado por lei, as consequências podem ser muitas. Em um primeiro momento, é possível que os sintomas mais frequentes sejam apenas dores de cabeça e enxaquecas.

Se isto persistir, é muito provável que o funcionário seja acometido pela perda de audição temporária. Caso não seja tratada, essa perda de audição pode eventualmente se tornar permanente – e ocasionar na perda de funções básicas no dia a dia das operações, além de possíveis multas e penalizações agravantes do ocorrido em contexto laboral para o empregador.

Além de diminuir a produtividade e o ritmo de trabalho em caso mais simples, essa exposição pode desencadear uma série de sintomas digestivos, cardiocirculatórios, endocrinológicos e neurológicos. Por isso, é de extrema importância que o gestor esteja atento para os mais simples sinais de que os ruídos estão afetando a saúde e o bem-estar dos colaboradores.

Maneiras de controlar os ruídos ocupacionais

Se o empregador perceber que existem ruídos ocupacionais no ambiente de trabalho que sejam capazes de afetar a segurança dos colaboradores, será preciso tomar medidas para controlar e minimizar estes efeitos.

Separamos as três principais delas:

  • Controle na Fonte: quando é possível modificar ou excluir a fonte de ruídos, essa é uma alternativa possível;
  • Controle na Trajetória: através do uso de barreiras e isolamento acústico para atenuar o ruído para que, assim, seu efeito seja menor no receptor;
  • Controle na Equipe/Receptor: quando, tecnicamente, não é possível eliminar ruídos, se faz necessário o uso de Equipamentos de Proteção Individual, os EPIs. Lembrando que quando se trata de Equipamentos de Proteção Individual, a NR-6 exige que os equipamentos sejam fornecidos gratuitamente pelos empregadores.

    >> Confira outras 7 maneiras de reduzir a exposição ao ruído ocupacional no nosso artigo sobre o tema <<

Outro modelo bastante comum para evitar a exposição constante dos colaboradores a ruídos ocupacionais é um manejo administrativo, através de:

a) mudança de rotina, com a redução do tempo de permanência em áreas de maior ruído;
b) rodízio de pessoas nas áreas de maior exposição a barulhos.

Investir em treinamento relacionado à ergonomia também conscientiza os colaboradores quanto aos riscos dos ruídos ocupacionais. Isto porque o conforto acústico é um dos elementos que caracteriza o bem-estar ou não dos trabalhadores no ambiente de trabalho.

A Beta Educação se preocupa com a exposição excessiva a ruídos nos ambientes de trabalho, e acredita que só com a devida atenção dos empregadores ao tema, é possível minimizar as doenças ocupacionais decorrentes dessa exposição.

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