Programa de Conservação Auditiva (PCA): o que é e qual a sua importância?

O Programa de Conservação Auditiva (PCA) se trata de um conjunto de medidas coordenadas que previnem a instalação ou a evolução das perdas auditivas ocupacionais. Hoje em dia, conforme revelam pesquisas e dados do Ministério da Saúde, sabe-se que a surdez no Brasil já é a terceira maior causa de doença do trabalho. Além disso, existem diversos estudos dentro do campo de Saúde e Segurança do Trabalho que apontam que o ruído tem causado vários problemas clínicos nos trabalhadores em seus aspectos sociais, físicos e psicológicos.

>> Saiba quais são os limites de exposição de ruídos no ambiente de trabalho <<

Do que se trata o Programa de Conservação Auditiva (PCA)?

programa de conservação auditiva pca

Mais do que apenas uma lista de recomendações para que essas doenças não acometam os trabalhadores, o Programa de Conservação Auditiva costuma ser um processo contínuo e dinâmico de implantação de rotinas nas empresas com o intuito de minimizar os danos causados por conta de ruídos constantes. Em suma, onde existir algum risco para a audição do trabalhador, existe a necessidade de implantação do PCA.

Legalmente falando, quem prevê a implantação do PCA nas empresas é a NR-9. De acordo com o texto da norma. o programa busca “a preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venha a existir no ambiente do trabalho”. Em seu escopo, estão previstas ações a serem desenvolvidas no âmbito da empresa sob a constante responsabilidade do empregador.

Apesar de ser responsabilidade do empregador, a elaboração do PCA envolve a atuação de uma equipe multiprofissional, pois são necessárias ações de engenharia, de fonoaudiologia, de treinamento em Segurança do Trabalho e de administração.

Como funciona o Programa de Conservação Auditiva (PCA) na prática?

Quem vai trabalhar lado a lado com o trabalhador para salvaguardar sua saúde auditiva é um profissional da área da saúde, seja ele um médico geral ou um fonoaudiólogo. Por meio de exames, como a audiometria, esse especialista vai avaliar o nível de audição de cada profissional exposto ao ruído excessivo.

É importante ressaltar que esses exames devem ser feitos e refeitos periodicamente para que o médico chegue a uma conclusão para saber se a audição daquele profissional está ou não sendo afetada. No caso de resultados positivos para problemas auditivos, esse especialista deverá acionar a equipe de Segurança do Trabalho, como a Comissão Interna de Prevenção a Acidentes (CIPA), ou o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) da empresa para dar continuidade às medidas preventivas e/ou corretivas que forem necessárias.

Fonte: ProMetal/ Reprodução.

Antes disso, no entanto, é importante frisar que a empresa deve ter elaborado um Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR) que abarque não apenas a saúde auditiva, mas todos os riscos que comprometem a Saúde e a Segurança dos trabalhadores na empresa. O principal papel do PGR é prevenir os eventuais acidentes do trabalho por meio do reconhecimento, antecipação, avaliação e controle da ocorrência de riscos ambientais no local de trabalho.

>> Conheça mais detalhes sobre o PGR aqui no nosso artigo <<

Além disso, o Programa de Conservação Auditiva (PCA) deve funcionar lado a lado com um bom Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), documento que visa prevenir, rastrear e diagnosticar precocemente os agravos à saúde relacionados ao trabalho. Esses dois requisitos são fundamentais para a avaliação e posterior análise dos riscos à saúde dos trabalhadores no ambiente de trabalho para que, assim, se possa implementar um Programa de Conservação Auditiva (PCA) realmente efetivo.

>> Saiba quais empresas devem implementar o PCMSO no seu dia a dia <<

É só com esses dados em mãos que se é possível implementar cada uma das etapas abaixo:

1. Análise do ambiente de trabalho e processos

Nessa primeira fase serão identificadas as principais características de cada atividade a ser desenvolvida e os riscos ocupacionais presentes no ambiente. Em linhas gerais, a lei determina que o nível máximo de barulho que um trabalhador pode ficar exposto em uma jornada de 8 horas de trabalho é de 80 decibéis. Após esse limite, a legislação adota o passo de cinco: 85 decibéis para cada 4 horas trabalhadas, 90 decibéis para cada 2, e assim por diante.

Veja mais detalhes sobre o ruído ocupacional e os limites de exposição no nosso artigo sobre o tema.

2. Avaliação fonoaudiológica

Para que se possa diagnosticar de forma precoce as causas de perda auditiva ocupacional, os exames fonoaudiológicos são essenciais. Cada empregado que estiver exposto a ruídos ocupacionais acima daqueles considerados adequados, de acordo com a análise do ambiente de trabalho, deve ser acompanhado por um profissional de saúde para que possa acompanhar a sua saúde auditiva. Só assim, esse colaborador vai receber as orientações e encaminhamentos médicos necessários.

3. Medidas de controle individual

Quando já existem trabalhadores com a audição prejudicada, é preciso acionar medidas de controle individuais para que se possa avaliar caso a caso quais serão as melhores opções para mitigar os efeitos dos ruídos ocupacionais durante a sua jornada de trabalho. Essa fase é muito importante para evitar situações mais graves, como a perda auditiva parcial ou a surdez.

4. Monitoramento das atividades e do ambiente de trabalho

Como foi dito anteriormente, o Programa de Conservação Auditiva (PCA) é um processo dinâmico e contínuo. Por isso, não basta uma simples análise do ambiente de trabalho – é preciso também monitorar as atividades, identificar as principais fontes de ruídos ocupacionais com frequência e fiscalizar se os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) estão sendo usados corretamente.

5. Medidas de controle coletivas

Muitas das ações para mitigar doenças auditivas começam a partir de escolhas administrativas simples. Os riscos pela exposição a ruídos ocupacionais de alta intensidade, por exemplo, caso não possa ser diminuída ao longo da jornada de trabalho, pode ser minimizada com a rotatividade de funcionários a um período considerado adequado para a saúde auditiva.

Lembre-se: assegurar que os funcionários estejam seguros e saudáveis não faz parte apenas dos técnicos em Saúde e Segurança do Trabalho, mas da empresa trabalhando como um todo em prol de que isso efetivamente aconteça.

6. Gestão de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)

Feitas as análises e avaliações de como controlar os riscos ocupacionais para a saúde auditiva dos trabalhadores, só assim é indicado escolher quais são os Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) mais adequados para que eles possam realizar os seus trabalhos adequadamente. Nessa etapa, é também feita a entrega da documentação necessária, o treinamento para o manuseio, a conservação e a higienização dos equipamentos antes de serem entregues para utilização dos funcionários.

Por que o Programa de Conservação Auditiva (PCA) é importante para as empresas?

Se você ainda não tem noção de como o Programa de Conservação Auditiva (PCA) é importante para a sua empresa, os dados podem ajudar você a enxergar melhor. De acordo com o boletim da FUNDACENTRO, entre 2007 e 2012 foram notificados 1.872 casos de Perda Auditiva Induzida por Ruído Ocupacional (PAIR) no Brasil.

O fator que mais pode agravar a perda auditiva para os trabalhadores é a média de exposição – quando ela está acima de 85 dB (A) para cada 8 horas de trabalho, especialmente em casos de exposição contínua, é mais comum que a PAIR aconteça. Além disso, outros fatores ainda podem influenciar no agravo da doença, como a característica do ruído, as condições de trabalho e saúde, a susceptibilidade individual e exposições simultâneas de produtos químicos e vibrações.

A PAIR pode ser encontrada principalmente em ramos como: têxtil, siderurgia, metalurgia, papel, vidraria entre outros. Saiba mais sobre o que se trata a PAIR e como prevenir no nosso artigo.

Se você precisa implementar um Programa de Conservação Auditiva na sua empresa, fique atento: em breve a Beta Educação vai lançar um curso EaD sobre PCA (Programa de Conservação Auditiva)!

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