Plataformas de Trabalho Aéreo (PTA): recomendações de segurança para a Construção Civil

plataformas de trabalho aéreo

Quando falamos sobre Plataformas de Trabalho Aéreo (PTA), é quase impossível não associar o uso desses equipamentos com as atividades realizadas na indústria da Construção Civil. Esse setor foi um dos principais destaques na porcentagem do PIB em 2021 no Brasil, tendo crescido 9,7% com relação ao ano anterior – mais até do que a agropecuária. Com esse pano de fundo, o uso das Plataformas de Trabalho Aéreo também cresceu, já que boas partes dos canteiros de obras necessitam desse equipamento para que o trabalho seja realizado.

De acordo com a NR-18, norma que estabelece diretrizes administrativas, de planejamento e de organização, que visam à implementação de medidas de controle na indústria da construção, uma Plataforma de Trabalho Aéreo pode ser definida como “todos os equipamentos móveis, autopropelidos ou não, que possuem estação de trabalho (cesto ou plataforma)”. Esses equipamentos podem ter várias utilidades em operações que envolvem altura.

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No caso específico da Construção Civil, por mais que o trabalhador seja habilitado para operar em canteiros de obras, ele não necessariamente está apto para trabalhar com Plataformas de Trabalho Aéreo. Isso porque é preciso ter uma certificação própria para poder operar essas máquinas, e apenas após ter feito o treinamento é que ele pode lidar com as Plataformas.

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Antes de falarmos um pouco mais sobre esse treinamento, vamos ficar por dentro de alguns procedimentos de segurança para o uso de Plataformas de Trabalho Aéreo.

Quais são os procedimentos mais recomendados ao usar uma Plataforma de Trabalho Aéreo?

Em geral, o uso de Plataformas de Trabalho Aéreo pode gerar alguns riscos tanto ao trabalhador como também a terceiros. A grande maioria desses riscos está relacionado ao ambiente de trabalho, e podem ser evitados com um controle adequado.

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Apontamos alguns procedimentos essenciais antes de iniciar um trabalho com Plataforma de Trabalho Aéreo:

1. Reconheça as características do piso onde o equipamento será utilizado

Uma das principais causas de acidentes em Plataformas de Trabalho Aéreo são as quedas. Por isso, antes de iniciar um trabalho com o equipamento, é preciso conhecer bem o piso onde o equipamento será utilizado: ele está apto para receber cargas muito pesadas? No caso do uso de andaimes, onde eles estão localizados para assegurar que o operador não vai cair?

Para pisos onde o impacto pode ser fatal, por exemplo, é interessante planejar placas de sinalização e trabalhar com Equipamentos de Proteção Coletiva tanto dos operadores das Plataformas, quanto daqueles que trabalham nas imediações. Além disso, caso a Plataforma de Trabalho Aérea seja movimentada a motor, é preciso analisar a aderência das rodas e a fricção antes de operar na área em questão.

2. Analise o fluxo de movimento no local

Como dito anteriormente, os riscos de acidentes no uso de Plataformas de Trabalho Aéreo não são apenas para os seus operadores, mas também para todos os funcionários que estão ao seu redor. Por isso, é muito importante fazer uma análise do fluxo de movimento no local, especialmente em canteiros de obras, onde a movimentação costuma ser mais intensa.

Quedas de cargas e até mesmo de pessoas podem ocasionar acidentes drásticos, e até mesmo fatais. Essa análise é essencial para que isso não ocorra, e para que o trabalho seja realizado da melhor maneira e com mais produtividade para todos os envolvidos.

3. Considere a carga utilizada no trabalho

Seja para a movimentação de materiais pesados, ou apenas para a movimentação do operador, a carga precisa ser considerada no manuseio de Plataformas de Trabalho Aéreo. Isso evita que acidentes causados pelo excesso de carga sejam evitados. É muito importante também saber qual é o limite de carga que a Plataforma de Trabalho Aéreo consegue aguentar.

Para isso, uma boa lida no manual de instruções e no passo a passo de como manusear pode ser essencial para evitar situações inesperadas. Com isso em mãos, o chefe de obras e o técnico em Segurança do Trabalho podem planejar melhor suas ações, sempre em prol do bem-estar físico do operador e dos demais trabalhadores.

4. Verifique os fios elétricos nas imediações

Para além das quedas, uma das grandes causas de acidentes de trabalho em altura é a eletricidade. Principalmente quando falamos de ambientes urbanos, onde estão postes elétricos e outras instalações que, caso em contato com o operador, podem ocasionar em choques, queimaduras e até mesmo outras fatalidades.

Na hora de usar uma Plataforma de Trabalho Aéreo, certifique-se de verificar as instalações elétricas do ambiente circundante: desde a presença de fios e postes elétricos, até cabos que aparentemente podem estar sem voltagem, mas que acabam por poder causar acidentes aos operadores.

O que fazer antes de trabalhar em uma Plataforma de Trabalho Aéreo?

O Strategic Forum for Construction preparou um guia de melhores práticas para trabalhar com segurança em Plataformas de Trabalho Aéreo. Dentro desse passo a passo, existem três ações principais que devem nortear o trabalho nesses equipamentos: planejamento, supervisão e monitoramento, e competência e treinamento.

Veja mais detalhes a seguir:

1. Planejamento

Dentro desse escopo, devem ser considerados, dentre outras características, o método de trabalho, a avaliação de riscos, a seleção de Plataforma de Trabalho Aéreo e um plano de emergência e simulações. Confira cada um deles:

1.1 Método de trabalho

Nesse quesito, é recomendável considerar:

  • a necessidade de efetuar os trabalhos em locais elevados, por exemplo, se os trabalhos poderiam ou não ser realizados no nível do solo;
  • o sequenciamento das atividades para evitar a presença de obstruções que poderiam trazer riscos de acidentes;
  • a adoção de métodos de trabalho alternativos que evitem ou reduzam os riscos de acidentes durante o uso de uma Plataforma de Trabalho Aéreo.

Caso ainda seja necessária a adoção de uma Plataforma de Trabalho Aéreo para a realização do trabalho, é preciso verificar os itens a seguir.

1.2 Avaliação de riscos

Como uma maneira de minimizar e erradicar possíveis acidentes de trabalho, a avaliação de riscos deve abranger:

  • o deslocamento de acesso e saída da área de trabalho;
  • o acesso à área de trabalho;
  • o trabalho em pontos elevados.

Para além desses tópicos, é requerido também um planejamento especial quanto aos níveis de iluminação, pois podem ser necessárias tarefas adicionais.

1.3 Seleção de Plataforma de Trabalho Aéreo

De acordo com o manual, selecionar uma Plataforma de Trabalho Aéreo com as características operacionais adequadas pode reduzir substancialmente o risco de acidentes. Neste sentido, devem ser levados em consideração as instruções do fabricante, particularmente os parâmetros operacionais, e os limites especificados.

Por exemplo, Plataformas de Trabalho Aéreos com elevador vertical, lança articulada e lança telescópica permitem uma ampla variedade e diferentes sequências de execução de movimentos da plataforma. Já outras possuem um anteparo acima do painel de comandos da plataforma para prevenir que as mãos do operador fiquem presas contra objetos elevados, mas isso pode criar um risco de aprisionamento se operador de inclinar sobre o painel enquanto move a plataforma.

Independentemente do caso, caso os gestores ou planejadores estejam incertos sobre qual Plataforma de Trabalho Aéreo utilizar para o trabalho, convém que consultem informações especializadas, por exemplo, de um fabricante ou de uma empresa de locação de equipamentos.

1.4 Plano de emergência e simulações

Sempre que existirem funcionários operando em um ponto elevado, é uma exigência legal ter um plano para emergências e resgate. Para isso, deve haver alguém no nível do solo capaz de entrar em ação no caso de uma emergência enquanto uma Plataforma de Trabalho Aéreo estiver em uso.

Neste sentido, deve ser desenvolvido um plano de resgate apropriado para assegurar que um regaste de emergência possa ser realizado com segurança e rapidamente caso um operador ou qualquer outra pessoa fique presa entre o cesto e um objeto próximo.

Além disso, são necessárias simulações periódicas para os responsáveis no local pelo resgate de pessoas aprisionadas. Tais simulações devem incluir a prática do uso dos comandos no solo e comandos de emergência para cada máquina em uso.

2. Supervisão e monitoramento

Além de instruir e prover sistemas seguros de trabalho para as operações que devem comandar, os supervisores também devem monitorar o trabalho a assessorar na análise e revisão das avaliações de riscos e sistemas seguros de trabalho durante o andamento do trabalho.

3. Competência e treinamento

De acordo com o guia, todos os envolvidos em avaliação de riscos, planejamento, gerenciamento, supervisão e execução de tarefas ocupacionais devem possuir suficiente treinamento, conhecimento, experiência e autoridade delegada por seu empregador para identificar riscos de acidentes em Plataformas de Trabalho Aéreo.

Quanto ao treinamento, tanto gerentes e supervisores, quanto os próprios operadores de Plataformas de Trabalho Aéreo, devem ser instruídos sobre os regulamentos e perigos do local e ter concluído um curso de treinamento básico reconhecido. Além disso, os operadores devem se familiarizar com os comandos, as características, os dispositivos de segurança, adesivos e sistemas de regaste de emergência nas Plataformas de Trabalho Aéreo que estão autorizados a operar.

Antes de operar uma determinada marca e modelo de Plataforma de Trabalho Aéreo, o operador deve ser capaz de provar que recebeu e compreendeu instruções sobre o tipo de máquina, por exemplo, com registros em seu histórico de atividades (ou similar). Caso isto não possa ser demonstrado, o operador deverá receber instruções para se familiarizar, ou, mediante autorização do seu empregador, se familiarizar por conta própria usando as instruções do fabricante.

A Beta Educação tem o curso de capacitação perfeito para os operadores de Plataformas de Trabalho Aéreo de acordo com a NR-18, onde tratamos dos mais diversos tipos de plataformas, suas devidas manutenções e os procedimentos de segurança na sua operação.

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