Os riscos dos combustíveis para saúde dos trabalhadores

10 de janeiro de 2017

Hoje vamos falar de uma atividade de risco, isto porque, seu ambiente envolve uma série de substâncias que a longo e curto prazo podem acarretar doenças e problemas de saúde. Veja a seguir os riscos dos combustíveis para saúde dos  profissionais que trabalham com esta substância.

Postos de abastecimento possuem uma característica exclusiva, o cheiro de combustível! muitos brincam falando que adoram o cheiro, outros nem tanto. Mas será que seria tão agradável inalar estes combustíveis todos os dias? quais são os danos e riscos que este contato podem trazer?

Vamos entender melhor, a principal substância que compõe os combustíveis é o benzeno,  de característica incolor e altamente cancerígeno, ele pode causar desde dores de cabeça até problemas mais graves como anemia, danos neurológicos, infecção pulmonar e a diminuição do sistema imunológico.

Já o contato da substância com a pele pode causar leves queimaduras, ressecamentos e em casos mais graves pode desenvolver problemas como dermatite.

Existem estudos inclusive que afirmam que quando a gasolina é inalada em condições crônicas, pode até afetar o comportamento das pessoas, como passar a ter maior nível de agressividade, ansiedade e mais!

Os riscos não são resumidos pelo contato físico ou pela inalação, mas também pelo alto risco de explosão, isso porque os postos de abastecimento possuem uma alta circulação de gases inflamáveis e as fontes de ignição são a das mais variadas. Estes riscos podem afetar não só os frentistas, mas também os lavadores de carro, os atendentes de lojas de conveniência dos postos os funcionários administrativos e os moradores da redondeza.

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Frentista tem adicional de periculosidade ou de insalubridade?

De acordo com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), a insalubridade é caracterizada quando o empregado está exposto, durante o dia a dia de trabalho, a agentes nocivos à saúde como produtos químicos, ruídos, exposição ao calor, dentre outros. Para que o profissional receba este adicional, o mesmo deve comprovar através de um laudo pericial que esta exposto a agentes nocivos acima do nível permitido pela NR-15.

Já a periculosidade está relacionada ao risco de vida em que o trabalhador fica exposto para executar sua função, isso pelo fato da grande chance de explosão de seu posto de trabalho. Neste caso o frentista tem direito ao adicional de periculosidade de 30% conforme o que determina a CCT.

Veja também o post: “As diferenças entre insalubridade e periculosidade”

O relato de Nayne Alves segundo a revista Caleidoscópio

A revista Caleidoscópio retrata a história da ex-frentista Nayne Alves, 32, que trabalhou quatro anos em um posto de combustível situado no complexo habitacional Benedito Bentes. Ela conta em sua entrevista que começou a trabalhar no posto de combustíveis sem experiência e sem o curso da NR-20 exigido pelo MTE.

A ex-frentista afirmou que nunca obteve orientações e que usava apenas uma flanela para limpar o combustível que as vezes sujava os carros ao abastecer, os únicos EPIs que o empregador entregou de fato foi a bota e o fardamento, mas não foram suficientes. Assim que começou a trabalhar, Nayne sentia muitas dores de cabeça e náuseas, mas não parou por ai, quando conseguiu o trabalho de gerente, se sentia muito estressada pela alta cobrança da chefia, na entrevista ela conta que na loja de conveniência onde era obrigada a contar item por item, foi informada que se houvesse incompatibilidade com as caixas, o valor seria descontado de seu salário.

Somando todos esses anos de sofrimento, Nayne já sentia que dores de cabeça e náuseas faziam parte de sua vida, até que um dia não teve condições de levantar da cama, foi ao médico e recebeu o diagnóstico de uma grave pneumonia e uma bactéria em seu sangue.

O médico constatou que a causa da pneumonia vinha da inalação das substâncias combustíveis e a bactéria proveniente da água contaminada do próprio posto. Nayne descobriu que o reservatório de água ficava ao lado de uma caixa de esgoto, que veio a estourar e contaminar o líquido, a bactéria era o resultado da consumação diária deste líquido.

Infelizmente a empresa se negou a arcar com os custos do tratamento, que então foram cobertos pela própria família de Nayne. Quando voltou a rotina de trabalho, foi informada que seria desligada da empresa e que receberia apenas o valor de R$600, na época entrou na justiça e conseguiu negociar o valor de R$ 2 mil.

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Esta é ainda uma realidade de muitos frentistas, é preciso conscientizar os trabalhadores sobre seus direitos e sobre as normas, cobrando também dos donos para fornecer a informação e cumprir com suas responsabilidades. Vale lembrar em sempre ficar atento também aos agentes que podem causar combustão.

Para combater estes riscos no mínimo deve-se utilizar uma máscara para inalação de vapores orgânicos, óculos protetor e botas de segurança, porém muitas vezes os EPIs e as normas são deixadas de lado, não só pela negligência do empregador, mas também pela falta de informação dos colaboradores ou pela falta de equipamentos.

Como vimos, o ambiente dos postos de abastecimento são zonas que podem provocar sérios riscos e perigos para a saúde, por este motivo a lei determina que os trabalhadores recebam um adicional de periculosidade, que corresponde a 30% do salário base.

A multa para postos que não cumprem com esta regra pode variar de R$ 400,00 a R$ 6.000 dependendo do caso.

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CURSO-NR20-INFLAMÁVEIS

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