NR-18: 7 aspectos operacionais importantes para o içamento de cargas

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O sinaleiro e o amarrador de cargas são funções fundamentais para a segurança e confiabilidade das operações de içamento de cargas. Esses profissionais são responsáveis pela segurança da movimentação de uma carga suspensa junto ao operador do equipamento de içamento utilizado.

Para que ambos possam fazer seu trabalho adequadamente, eles precisam fazer um treinamento, uma vez que o trabalho de um complementa o do outro. Por exemplo, em situações em que há pouca ou nenhuma visibilidade de carga e do trajeto, é o sinaleiro que orienta durante toda a movimentação da carga até o destino através de sinais gestuais ou por meio de rádio intercomunicador.

Por outro lado, o amarrador tem a função de cuidar da conservação e da guarda dos acessórios, além de selecionar e inspecionar aqueles que irá utilizar na amarração da carga de acordo com normas e procedimentos padronizados.

Infelizmente, não há no Brasil uma estatística oficial dos acidentes com içamento de cargas. Porém, a partir da experiência no segmento, é possível concluir que uma parte significativa dos acidentes acontecem por conta de falhas humanas – seja do sinaleiro, do amarrador de cargas ou do operador do equipamento de içamento.

Normas Regulamentadoras para o içamento de cargas

Em termos de Segurança do Trabalho, são as NRs 11 e 18 que falam sobre o içamento de cargas. No entanto, as descrições e orientações sobre o ofício dos sinaleiros e amarradores de cargas, além dos detalhes sobre o que devem constar no Plano de Carga, estão todos presentes na NR-18.

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Em suma, a NR-18 trata sobre diretrizes de ordem administrativa, de planejamento e de organização, que visam à implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho na indústria da construção.

Dentre os aspectos que são abordados na Norma, podemos destacar: as áreas de vivência, instalações elétricas, as etapas de obra, medidas de proteção contra quedas de altura, noções sobre máquinas, equipamentos e ferramentas, movimentação e transporte de materiais e pessoas (elevadores), andaimes e plataformas de trabalho, sinalização de segurança e capacitação.

Como é de notório saber, a indústria da Construção Civil é uma das que mais se utiliza do içamento de cargas. Por isso, neste artigo vamos apresentar o que a norma aponta como os aspectos operacionais mais importantes para que as operações de içamento sejam feitas com segurança. Confira:

7 orientações para o içamento de cargas com segurança

Para evitar acidentes no processo de içamento de cargas, é importante seguir as recomendações presentes nas normas. Separamos as mais importantes delas para que você possa se atentar.

1. Atente-se às normas e procedimentos padronizados

Como é natural, todas as operações de amarração de cargas para içamento devem ser realizadas somente conforme o manual de norma ou Procedimentos Operacionais Padronizados. Esse passo a passo é desenvolvido por profissionais especializados em Segurança do Trabalho do SESMT da empresa, junto aos operadores dos equipamentos de içamento, sinaleiros, amarradores de cargas e o engenheiro responsável pela obra.

De modo geral, o manual deve contemplar de forma detalhada as dez etapas ou procedimentos para a execução da amarração de uma carga para içamento. Além disso, todos os amarradores de cargas para içamento devem ter fácil acesso ao manual de normas ou Procedimentos Operacionais Padronizados.

Não é aceitável permitir que cada sinaleiro ou amarrador execute as suas atribuições da maneira que achar melhor, mais fácil ou mais rápido, uma vez que esta é a receita perfeita para a ocorrências de falhas e acidentes. Com esses procedimentos em mãos, esses profissionais não só vão estar mais seguros, mas também vão ter mais ganho de tempo e de produtividade.

2. Conheça as informações essenciais sobre as cargas

Faz parte da responsabilidade do amarrador de cargas para içamento obter todas as informações possíveis sobre a carga que irá amarrar. Só assim ele poderá definir a forma de laçada que vai adotar, bem como os acessórios de amarração que serão escolhidos.

Confira a seguir as principais informações que um amarrador deve possuir sobre a carga para que depois possa analisar os possíveis riscos da operação:

  • Identificar se o formato geométrico da carga é regular ou irregular;
  • Localizar o Centro de Massa aproximado (CM/CG);
  • Conhecer o peso total do recurso unitizador junto ao seu conteúdo, seja ele sólido, líquido ou pastoso;
  • Verificar os pontos de pega já existentes no corpo da carga;
  • Verificar se os materiais estão devidamente distribuídos no interior da gaiola ou caçamba;
  • Conferir se existe risco de queda de parte da carga ou de materiais no seu interior.

3. Dê especial atenção às características das formas de laçadas

Essa, talvez, seja a mais crítica e complexa atividade de amarração de cargas para içamento. No total, são seis formas de laçadas para amarração de cargas e mais algumas variações, sendo que é o amarrador capacitado que escolhe a forma que mais atenda às necessidades da operação de maneira segura. Confira quais são:

  • Vertical Simples: aqui, o acessório está posicionado na vertical, formando uma perpendicular em relação à superfície horizontal da carga. Essa é uma das formas de laçadas mais recomendadas, desde que a carga possua um ponto de pega no seu Centro de Massa;
  • Vertical Dupla ou Quádrupla: como a última forma, os acessórios estão posicionados na vertical, formando uma perpendicular em relação à superfície horizontal da carga. Aqui, no entanto, é obrigatória a utilização de um balancim ou equalizador simples com travessões perpendiculares;
  • Vertical Dupla Cesto (Basket): é muito semelhante à vertical dupla, porém nessa há um acessório que envolve a carga como um cesto, passando por debaixo desta ao invés de conectar no olhal superior da carga;
  • Forca (Choker): nessa forma de laçada o acessório primário, uma cinta de poliéster, enforca a carga cilíndrica de forma simples, com apenas uma volta ao redor dela. Também possui uma variação, que é a forca dupla, com duas voltas ao redor da peça cilíndrica;
  • Angular (60º): difere-se das anteriores pelo fato de que as duas pernas do acessório primário utilizam ângulos formando 60º em relação à superfície superior da carga. Assim, a tensão aplicada é dividida por cada uma das lingas;
  • Angular (45º): possui ângulos de 45º em relação à superfície superior da carga. Aqui, no entanto, a tensão dividida por cada linga é maior. Portanto, o amarrador sempre deverá estar atento à capacidade da carga de trabalho do acessório primário;
  • Angular (30º): essa forma não é comumente recomendar pois a tensão aplicada a cada cinta acaba sendo igual ao próprio peso da carga.

Apenas os amarradores de carga mais observadores e experientes conseguem estimar com precisão o ângulo da forma de lançada mais apropriado. Por isso, é muito importante que eles estejam atentos a qual laçada deve ser mais segura para usar em cada situação de içamento.

4. Realize a inspeção visual dos acessórios de içamento

As inspeções visuais devem ser realizadas pelo amarrador de cargas antes e depois da utilização de qualquer acessório de amarração de cargas. Esse costuma ser um procedimento obrigatório e essencial para a segurança das operações, e sua ausência é a causa preponderante de grande parte dos acidentes ocorridos nas operações de içamentos.

Um amarrador de cargas consegue inspecionar seus acessórios com razoável rapidez, evitando que aconteçam possíveis acidentes durante a operação. Todos os acessórios que não forem aprovados com base nos procedimentos técnicos de inspeção visual devem ser retirados e submetidos às inspeções dimensionais e preditivas.

Abaixo, identificamos os itens básicos para que o amarrador de cargas inspecione os acessórios utilizados na montagem das lingas, sejam elas de aço, corrente ou cintas de poliéster:

Além disso, cada tipo de laço e linga vai determinar um tipo diferente de inspeção, que são abordados nos treinamentos para amarradores de cargas. Os acessórios secundários, como ganchos, manilhas e olhais também necessitam de inspeção, e cabe ao amarrador ter um olhar atento para lidar com eles.

5. Analise e defina o trajeto da carga

O movimento de uma carga suspensa em um canteiro de obras envolve uma série de riscos que não podem ser subestimados pelo sinaleiro ou pelo amarrador de cargas. O sinaleiro costuma ser o responsável pela orientação do operador do equipamento de içamento devido, principalmente, à distância e aos inúmeros obstáculos presentes neste entorno.

Definida a operação que vai ser realizada, é dever do sinaleiro, junto ao operador do equipamento, avaliar as melhores e mais seguras alternativas para deslocamento de uma carga suspensa desde a origem até seu destino. São várias as variáveis que devem ser consideradas, dentre as quais, destacamos:

  • Obstáculos fixos e móveis que podem oferecer risco de colisão;
  • Isolamento de áreas e sinalizações pontuais;
  • Condições climáticas e proximidade com fiações de redes elétricas.

Na hora de preparar o local de destino da carga, o sinaleiro ou outro colaborador é que são responsáveis pelo local, e devem sempre levar em consideração o tipo de carga, suas dimensões e outras condições que possam oferecer riscos a terceiros.

6. Isole e sinalize a área de içamento

De acordo com a NR-18, o isolamento e a sinalização de áreas sob cargas suspensas são obrigatórios, devendo o sinaleiro ou o amarrador de cargas dedicar atenção ao cumprimento dessa exigência. Esse isolamento deve ser realizado por meio da utilização de cones, fitas zebradas, sinalizadores luminosos, cavaletes com mensagens de segurança e placas de sinalização.

Em linhas gerais, o isolamento tem de abranger uma área que seja compatível com as dimensões da carga e com a extensão do seu trajeto, devendo ser mantido durante toda a operação, e ser retirado apenas pelo sinaleiro ou pelo amarrador de cargas.

7. Utilize recursos de comunicabilidade eficazes

A comunicação está aí para que os acidentes sejam evitados. Operações de içamento de cargas realizadas em canteiros de obras requerem o auxílio de recursos de comunicação eficientes e seguros entre o operador do equipamento e o sinaleiro. São vários os momentos durante a movimentação de uma carga em que o campo visual do operador fica parcial ou completamente comprometido devido aos diversos obstáculos existentes ao longo do trajeto da carga.

Diante da importância da comunicação entre o sinaleiro e o operador do equipamento, o melhor tipo de comunicação é através do rádio comunicador de longo alcance, com maior captação de sinal e resistência a interferências. Além de ser mais moderno, esse recurso costuma ser de baixo custo.

Além do rádio, os sinais gestuais padronizados são uma alternativa comum para a comunicação entre o sinaleiro e o operador da máquina. Confira abaixo qual é a sinalização padrão:

Todas estas orientações estão presentes com mais detalhes no Módulo 3 da capacitação para Amarradores e Sinaleiros com base na NR-18. Esses aspectos operacionais são muito importantes para que o içamento de cargas aconteça de maneira segura, sem que haja a ocorrência de acidentes.

No total, o treinamento ainda conta com outros 5 módulos sobre Princípios Básicos do Içamento de Cargas, Introdução ao Plano de Carga, Principais Acessórios de Amarração, Principais Riscos de Acidentes e Prevenção e Capacitação de Equipes.

Trabalhar com a operação de içamento de cargas é um trabalho que requer muito esforço e atenção, por isso qualquer conhecimento é válido para salvaguardar a vida dos operadores de máquinas, sinaleiros e amarradores de cargas!

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