EaD após a pandemia: essa tendência vai continuar?

Com o arrefecimento da pandemia de Covid-19, muitas empresas estão voltando ao presencial – e o ensino à distância (EaD), que fez parte do dia a dia de muitas pessoas ao longo desse período, deixa de ser obrigatório e passa a ser também opcional. Engana-se, no entanto, quem acredita que essa tendência só surgiu por conta da pandemia de coronavírus.

Uma pesquisa do censo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep) mostrou que a modalidade EaD teve um salto de 378,9% em matrículas de ingressantes no período entre 2009 a 2019. Ou seja, mesmo antes da pandemia, essa já era uma tendência que vinha crescendo com proeminência no sistema de educação brasileiro, e as recomendações da OMS em termos de distanciamento social durante a pandemia de Covid-19 só potencializaram essa tendência.

O EaD durante a pandemia: alguns dados

EaD pós-pandemia

Durante a pandemia, as pessoas que ainda tinham alguma apreensão em aderir à modalidade foram conduzidas a investir na educação online, seja em cursos livres, de graduação, gratuitos ou pagos. De acordo com uma pesquisa realizada pela Toluna, muitas pessoas pretendem manter hábitos que foram adquiridos durante o isolamento social – dentre eles, continuar estudando à distância. Para ser mais exato, 43% dos entrevistados estavam dispostos a continuar com seus cursos virtuais.

Ainda de acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), 55% dos estudantes apontaram que optariam que o retorno à normalidade se desse de maneira dividida – ora com ensino presencial, ora virtual. Em maio de 2021, o Mapa do Ensino Superior no Brasil divulgado pela Semesp revelou que entre 2020 e 2021 ocorreu um aumento de 17% nas matrículas para educação online.

No entanto, é curioso notar que esses números estavam designados apenas para o ano 2023 – porém a pandemia fez essa tendência se confirmar antes disso, especialmente pela experiência positiva que os estudantes tiveram com o EaD. Dessa maneira, já é possível dizer que o EaD após a pandemia é uma realidade bastante palpável.

Quais são as vantagens do modelo EaD?

Apesar de se assemelhar muito com o Ensino à Distância, o ensino remoto obrigatório durante a pandemia não foi a mesma coisa que o EaD. Embora os princípios utilizados sejam os mesmos por conta do uso da tecnologia, a educação à distância presume:

  • Apoio de tutores de forma atemporal;
  • Uso de diferentes recursos midiáticos;
  • Atividades que podem ser tanto síncronas quanto assíncronas.

Enquanto durante a pandemia as instituições de ensino foram forçadas a aderir ao ensino à distância, quando falamos de EaD fora de um contexto emergencial, a situação já é diferente: os professores/instrutores já estão preparados para ensinar remotamente e, por isso, já têm mais capacidade de utilizar os recursos de maneira mais inteligente.

Confira algumas outras vantagens do EaD:

1. Economia de tempo e recurso

Uma das maiores vantagens do ensino remoto é a economia, tanto em tempo quanto em recurso. Isso porque graças ao EaD, nem alunos nem professores precisam se locomover de um local para o outro para realizar as aulas e exames. Outra questão são as mensalidades mais baratas.

Como os gastos com as aulas presenciais são cortados, como de ter um espaço físico cedido para aulas e exames, o ensino se torna ainda mais acessível para quem antes não tinha acesso – fosse porque moravam longe dos grandes centros urbanos, ou porque não conseguiam custear mensalidades tão inacessíveis financeiramente.

2. Fóruns de discussão e webconferências

Uma das maiores vantagens da internet sem dúvidas é a capacidade de criar comunidades virtualmente. Do ponto de vista da educação, isso é muito interessante. Por mais que em um contexto físico isso também acontecesse, no ensino remoto, é possível criar fóruns de dúvidas e discussões sobre os assuntos abordados nos cursos e, assim, os alunos podem se conectar e até mesmo descobrir que tinham várias dúvidas em comum.

Outra vantagem que a pandemia mostrou que o EaD possui são as conferências virtuais. Hoje em dia, é muito mais fácil e simples assistir uma palestra online de uma pessoa que está a quilômetros de distância do que antigamente, o que tem a capacidade de conectar as pessoas de diversos locais – ainda mais em um país de dimensões continentais como o Brasil.

3. Networking com pessoas de diferentes localidades

Por falar em pessoas de diversos locais, é importante frisar como o EaD pode ser um ótimo catalisador de conexões. Geralmente, o ensino presencial já tinha essa facilidade, especialmente quando falamos de cursos de extensão e especializações pós-laborais. Porém, com o ensino à distância, é possível se conectar a pessoas de localidades ainda mais distantes – o que possibilita uma maior conexão intercultural e troca de ideias ainda mais diversas.

Do ponto de vista profissional, isso ainda é mais interessante, porque abre espaço para que as pessoas possam trocar suas experiências entre si sem precisar necessariamente se locomover para outro estado, cidade ou país. Como o ensino e a educação tem tudo a ver com “abrir a mente”, o EaD só tem pontos positivos neste quesito de sinergia de pessoas de diferentes locais.

Qual será o futuro da educação à distância?

Em seu artigo 5 oportunidades para a educação no mundo pós-pandemia, Raniery Pimenta, diretor do Senac-RN destaca que a transformação digital no universo pandêmico veio para revolucionar a aprendizagem através da tecnologia. O autor afirma que “a Educação 4.0 exige de nós o “learning by doing”, ou seja, que aprendamos enquanto estamos com a mão na massa. E isso nunca fez tanto sentido quanto neste cenário de crise e recomeços. Recursos tecnológicos dos mais diversos nunca estiveram tão disponíveis, permitindo uma interação e troca de conhecimentos nunca antes imaginada no ambiente virtual”.

Por isso, quando pensamos no EaD do futuro, é impossível não associar como as novas ferramentas irão continuar moldando a educação do futuro – por mais que alguns setores voltem ao modelo presencial. Neste sentido, Raniery afirma que “no cenário pós-pandemia crescerá a necessidade espaços multidisciplinares que possibilitem a implementação de estratégias didáticas inovadoras. Tecnologias como realidade virtual, realidade aumentada, câmeras 360° e softwares para desenvolvimento de projetos colaborativos, inclusive com uso de games, devem estar disponíveis aos alunos”.

Com relação à nossa pergunta inicial, se a Educação à Distância será uma tendência mesmo após a pandemia, a nossa aposta é que sim. Especialmente porque, graças ao período de isolamento da pandemia, muitos de nós aprendemos que é possível realizar atividades e utilizar recursos mais facilmente na hora de aprender novas habilidades e se capacitar ainda mais.

Nós, da Beta Educação, acreditamos que o EaD é um modelo de treinamento e capacitação acessível e com grandes atrativos, tanto para os alunos quanto para as empresas de um modo geral.

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