7 medidas para garantir a Segurança do Trabalho em Espaços Confinados

Quando falamos em Segurança do Trabalho para Espaços Confinados, a maior parte das pessoas imagina o ofício em poços, dutos e escavações. No entanto, esse trabalho está muito longe de terminar por aí.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), através da NR-33, reconhece que Espaços Confinados são:

qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio.

Portaria MTE n.º 202, de 22/12/2006

>> Está em dúvida se precisa ou não fazer um curso de NR-33? Confira a resposta no nosso artigo! <<

Por isso, antes de adentrarmos em medidas de Segurança do Trabalho para Espaços Confinados, primeiro é preciso entender a abrangência do termo dentro das mais diversas indústrias. Confira a seguir:

O que pode ser considerado um Espaço Confinado?

Como dissemos anteriormente, o termo costuma ser muito mais abrangente do que apenas o trabalho em poços, ou em escavações. Confira a seguir algumas dessas utilidades para as quais o termo se encaixa:

  • Na indústria agrícola: poços, cisternas, silos e biodigestores;
  • Na indústria alimentícia: fornos, depósitos, misturadores, secadores, dutos e toneis;
  • Na indústria química: dutos, lavadores de ar, reatores e colunas de destilação;
  • Na metalurgia: em tubulações, poços, tanques, coletores e depósitos;
  • Em serviços: em esgotos, digestores, incineradores e galerias;
  • Em transportes: para tanques de aviões, caminhões, vagões, e navios que carreguem combustíveis.

Quais os principais riscos para os trabalhadores de Espaços Confinados?

Como foi possível notar, o trabalho em Espaço Confinado é bastante abrangente. Em suma, desde o local para operação de resgate de um trabalhador acidentado, até os maquinários onde são feitas as manutenções de rotina preventiva podem ser considerados Espaços Confinados.

Bem como suas múltiplas funções, o trabalho em Espaços Confinados também costuma ter uma série de riscos para os seus operadores. Dentre os principais perigos deste tipo de ofício para os colaboradores que o fazem, podemos citar:

  • A possível presença de agentes biológicos contaminantes, causadores de infecções;
  • Deficiência ou excesso de oxigênio;
  • Alta concentração e misturas de combustíveis;
  • Riscos de incêndios e explosões;
  • Quedas e soterramentos;
  • Choques elétricos e queimaduras;
  • Risco de engolfamento – quando há o envolvimento e a captura de uma pessoa por líquidos ou sólidos finamente divididos.

>> Deseja saber mais riscos e perigos do trabalho em Espaços Confinados? Confira o nosso artigo sobre o tema! <<

Como evitar que esses riscos se tornem em acidentes durante o trabalho em Espaços Confinados?

Para evitar que os riscos citados acima se transformem em acidentes, a NR-33 destaca algumas ações que precisam ser tomadas pelos gestores das empresas para garantir a saúde e segurança dos funcionários que diariamente estão expostos a espaços confinados. Confira a seguir algumas delas que separamos para você:

1. Identificar os Espaços Confinados e os riscos existentes em cada um deles

segurança do trabalho espaços confinados
A elaboração de um Mapa de Riscos pode ser eficiente para analisar quais são os principais riscos de acidentes no ambiente de trabalho em questão.

Em um primeiro momento, é importante conhecer quais são os riscos que esses trabalhadores estão diariamente expostos.

Uma dica é fazer essa análise de riscos de maneira individual e única, para cada área, atividade ou equipamento industrial. Assim, podem ser levantados dados mais relevantes sobre os perigos, os efeitos e as medidas de controle.

Importante lembrar que os riscos levantados nessa análise devem levar em consideração os fatores químicos, biológicos, mecânicos e ergonômicos.

2. Designar um responsável técnico para garantir o cumprimento da norma

É importante garantir que o ambiente de trabalho com Espaços Confinados tenha uma supervisão de um profissional habilitado para tal.

Em geral, esse responsável técnico é um profissional qualificado para identificar os espaços confinados da empresa, elaborar medidas técnicas de prevenção, emergência e resgate, e implementar uma gestão eficiente em Saúde e Segurança do Trabalho em Espaços Confinados.

Além disso, esse profissional é responsável por orientar os colaboradores que fazem a entrada em Espaços Confinados, identificando os deveres de cada um deles e dando providência à capacitação exigida para este trabalho.

>> Saiba mais sobre as diferenças entre Vigia e Supervisor de entrada em Espaços Confinados <<

3. Restringir o acesso de pessoas não autorizadas

Uma das medidas da NR-33 é executar medidas para impedir o acesso de pessoas não qualificadas dentro de Espaços Confinados. É muito importante, neste sentido, assegurar-se que a entrada nestes espaços seja apenas realizada através do acompanhamento de um supervisor técnico responsável.

Uma maneira de evitar que isso aconteça é isolando e sinalizando os Espaços Confinados. Esta sinalização deve ser permanente e estar fixada na entrada do Espaço Confinado. Os sistemas de bloqueio, por sua vez, podem contar com válvulas, comportas, chaves e disjuntores, bem como uma criação de regras para instalação e retirada de cadeados e etiquetas.

É apenas desta maneira que a entrada de pessoas não autorizadas pode ser evitada, assim como o religamento acidental das fontes de energia.

4. Exigir a PET (Permissão de Entrada e Trabalho) dos colaboradores

A PET (Permissão de Entrada e Trabalho) nada mais é do que um documento que contém o conjunto de medidas de segurança e emergência para o desenvolvimento de atividades seguras em Espaços Confinados.

Sendo assim, todos os trabalhadores que precisem fazer o seu ofício em algum momento dentro de um Espaço Confinado precisam apresentar a PET. Quem é o responsável por emitir essa permissão antes do início das atividades é o Supervisor de Entrada, que também executa testes para conferência de equipamentos, faz o cancelamento da PET quando necessário e encerra a permissão após o término do serviço.

5. Fornecer Equipamentos de Proteção Individual e Coletiva (EPIs e EPCs)

É de senso comum que os gestores das empresas devem fornecer aos colaboradores que corram algum risco em Segurança do Trabalho Equipamentos de Proteção Individual, os EPIs, e Equipamentos de Proteção Coletiva, os EPCs.

Quando falamos sobre o trabalho em Espaços Confinados, estes equipamentos geralmente são:

  • capacetes, luvas, botas e óculos de segurança;
  • trava-quedas e cintos de segurança;
  • dispositivos de bloqueio e etiquetagem;
  • medidores de gases tóxicos, combustíveis e oxigênio;
  • equipamentos de ventilação mecânica
  • equipamentos de comunicação, como os rádios transmissores.

É importante pontuar também que todos esses materiais devem estar em dia com as normas do INMETRO.

6. Formar uma equipe de resgate

Independente da ocorrência de acidentes ou não dentro de Espaços Confinados, é importante lembrar que o empregador é responsável pela implementação de procedimentos de emergência e resgate nestes ambientes. Isto inclui formar uma equipe cuja missão é prezar pelos Primeros Socorros.

>> Descubra no nosso artigo quais são os 3 principais tipos de Resgate em Espaços Confinados <<

7. Capacitar os trabalhadores de Espaços Confinados

Talvez o item mais importante desta lista seja este. O recebimento de treinamento adequado é um direito do trabalhador. Além disso, essa capacitação sobre riscos, medidas de controle, emergência e salvamento deve ser contínua.

Isto é válido também para funcionários prestadores de serviços de empresas terceirizadas. O gestor da empresa que contrata deve estar atento ao registro e certificado de participação dos colaboradores que contrata.

Esses documentos devem conter o nome do trabalhador, o conteúdo programático, a carga horária, a especificação do tipo de trabalho e espaço confinado, e a data e local de realização do treinamento.

Conclusão

Como vimos, o trabalho em Espaços Confinados é muito mais comum do que se imagina. Além disso, seus riscos podem levar a uma série de acidentes caso esses perigos não sejam mitigados.

A NR-33 é a Norma Regulamentadora que trata sobre o trabalho em Espaços Confinados. De acordo com essa norma, é papel da empresa verificar onde existem riscos por conta do trabalho em Espaço Confinado, capacitar o Supervisor, os Vigias de Entrada e os Trabalhadores Autorizados nestes espaços, além de oferecer os Equipamentos de Proteção adequados.

Caso a empresa siga com atenção algumas das práticas em Saúde e Segurança do Trabalho para Espaços Confinados que citamos acima, o risco de acidentes pode se tornar muito menor.

Nós, da Beta Educação, sabemos que existe uma importância fundamental em eliminar os riscos de acidentes aos trabalhadores em contexto laboral de espaços confinados, e oferecemos dois cursos de capacitação para que a segurança seja garantida.

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