5 lições de segurança do trabalho que podemos tirar do desastre em Chernobyl

O pior acidente nuclear da história aconteceu há 35 anos em Chernobyl, na Ucrânia, e até os dias de hoje deixou marcas para quem viveu a situação e na região. No dia 26 de abril de 1986, às 1h23, um reator explodiu durante um teste de segurança mal sucedido. O impacto foi tão devastador que durante cerca de 10 dias, o combustível nuclear não apenas queimou e liberou elementos radioativos na atmosfera, como também contaminou cerca de 75% do continente europeu.

O número de vítimas ocasionadas pelo desastre permanece em debate. Isso porque os efeitos radioativos a longo prazo foram muito maiores do que simplesmente aqueles da explosão em si, afetando praticamente pelo menos as 600 mil pessoas que viviam na região. Número oficiais do comitê científico da ONU reconhecem apenas 30 mortes entre os operários e bombeiros vítimas da radiação durante a detonação. Porém, a ONG Greenpeace divulgou em 2006 um cálculo de pelo menos 100 mil mortes provocadas pela catástrofe nuclear.

O principal erro que causou o desastre na usina nuclear em Chernobyl foi que os operadores fizeram o teste com a usina ainda em funcionamento e com colaboradores sem a capacitação necessária para fazê-lo (Imagem: Istoé Independente)

Como isso afetou a cultura de segurança do trabalho?

Apesar de o acidente em Chernobyl poder ser considerado um fato isolado devido a sua proporção e aos fatores que levaram a ter ocorrido, o desastre causou muito mais do que comoção mundial. Os pilares da cultura de segurança do trabalho no mundo também foram abalados, uma vez que foi necessário repensar sobre a saúde e segurança dentro das empresas.

Em 1988, dois anos após o incidente fatal, o International Nuclear Safety Advisory Group (INSAG), divulgou um primeiro relatório técnico com abordagem organizacional sobre a análise das origens do acidente em Chernobyl. Em linhas gerais, o documento identificou que as principais falhas aconteceram devido a uma cultura deficiente de segurança na planta. Esse foi um ponto crucial para o desenvolvimento da cultura de segurança do trabalho que reverbera mundialmente até os dias de hoje.

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Como você pode ver, o impacto foi tão grande que abalou inclusive a superestrutura do pensamento em torno do tema. No Brasil, apesar de não termos a energia nuclear como principal matriz energética, podemos tirar algumas lições muito importantes do acontecido para praticamente todas as fábricas que utilizam o recurso humano como força motriz e de operação.

Confira quais são esses aprendizados:

1. A importância da implantação de uma boa planta de segurança

De acordo com o relatório publicado pelo INSAG, esse foi um dos principais fatores que levaram ao desastre. A implantação de plantas de segurança, inclusive, foi um fator determinante para as empresas nas décadas posteriores, pois assim os gestores e colaboradores podem ter noção de quais são os principais riscos de operação em máquinas.

Na realidade brasileira, uma das principais exigências da Norma Regulamentadora 12, a NR-12, que trata sobre o manuseio de máquinas e equipamentos, é que as empresas que trabalham com equipamentos com potencial risco à saúde e segurança da integridade física dos trabalhadores tenham uma planta de segurança. Assim, é possível que os engenheiros e técnicos de segurança do trabalho possam fazer o devido diagnóstico de possíveis análises de risco.

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2. O cuidado para a realização de testes

Hoje em dia já é de senso comum que, para a realização de testes, especialmente em fábricas cujo o risco pode ocasionar acidentes, é necessário um preparo anterior. No caso específico de Chernobyl, embora a recomendação fosse para diminuir a potência dos reatores (de 700kw para 200 kw), a usina continuou em operação mesmo após o início do experimento

Para que sejam realizados testes em segurança, um bom plano de contenção de danos é essencial. Isso porque é preciso calcular quais são os possíveis riscos sempre que for necessário testar os limites de qualquer maquinário, especialmente para os colaboradores que estão em operação.

3. A segurança no manuseio de materiais radioativos e inflamáveis

Boa parte dos acidentes fatais acontecem por conta de materiais inflamáveis. A combustão instantânea pode desencadear não apenas incêndios, mas explosão e até mesmo a contaminação por outros elementos químicos perigosos, como foi o xenônio, no caso de Chernobyl.

No cenário brasileiro, existe uma norma regulamentadora que diz respeito justamente ao manuseio de materiais inflamáveis: a NR-20. Visto que esses materiais podem causar acidentes fatais, os colaboradores que trabalham com eles precisam conhecer seus perigos e riscos, bem como os procedimentos básicos em situações de emergência com inflamáveis.

>> Conheça os principais riscos dos combustíveis para a saúde dos trabalhadores <<

4. A importância da saúde e segurança dos trabalhadores

Um fator essencial para a receita fatal do desastre de Chernobyl foi o contexto em que os testes na usina nuclear foram realizados. Por uma questão de soberania nacional, as autoridades resolveram não expor que os testes foram mal sucedidos, mesmo diante da exposição de material radioativo a centenas de trabalhadores e a milhares de residentes da região. À medida que esses colaboradores iam se contaminando com a radiação, eles também iam expondo seus familiares e pessoas próximas à medida que entravam em contato com eles.

Essa experiência trouxe à tona uma questão muito relevante sobre a extrema importância da saúde e segurança dos trabalhadores, não apenas do ponto de vista organizacional, mas também coletivo. Se houvessem medidas mais assertivas no momento de contenção de danos, o número de pessoas que foram contaminadas pela radiação seria bem menor do que o resultado final. Em termos de cultura de segurança do trabalho, o desastre assegurou para as gerações futuras que a saúde e segurança dos funcionários deve ser medida fundamental nas empresas e na legislação trabalhista.

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5. A importância de treinar os funcionários da maneira adequada

Anos após o acidente que deixou a cidade ucraniana devastada, os relatórios deixaram claro que um fator foi primordial para que ele tivesse acontecido: a falta de treinamento dos colaboradores na hora de fazer o teste na usina nuclear. Os trabalhadores que executaram o teste deveriam ter sido treinados e capacitados para tal, mas não foi exatamente isso que aconteceu. Apenas os funcionários que trabalhavam no período diurno tinham treinamento e capacitação para lidar com possíveis riscos, porém a operação se deu no período da noite com colaboradores que não estavam devidamente habilitados para fazê-la.

Uma das grande lições que o desastre em Chernobyl, na Ucrânia, legou para as futuras gerações é a importância do treinamento dos funcionários. Caso os operadores fossem os que estavam prontos para lidar com situações de risco, o resultado possivelmente seria outro. Importante denotar aqui que essa motivação de ser bem capacitado não deve vir apenas dos colaboradores, mas também dos gestores que são os principais responsáveis pela segurança e bem-estar dos funcionários. Só assim acidentes fatais como esse podem ser evitados.

A Beta Educação se importa com a cultura de segurança do trabalho para que acidentes fatais que minam milhares de vida como esse possam ser devidamente evitados.

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